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No final do século XIX a
colônia de Nova Petrópolis já estava com os limites
destacados, suas terras medidas, seus distritos
definidos e os colonos definitivamente assentados. Era
preciso buscar a solução para o principal problema dos
agricultores: a falta de instituições financeiras com
linhas de crédito especiais para a aquisição de
ferramentas, sementes e o pagamento dos lotes. Com a
chegada do Padre Theodor Amstad,
começaram a surgir os primeiros indícios de que os
colonos teriam um parceiro que os ajudaria a impulsionar
o seu crescimento.
O Padre Theodor Amstad era profundo conhecedor
do sistema cooperativo de crédito europeu. O Sistema Raiffeisen era o
seu principal exemplo. Mas até poder aplicar aqui todos os seus
conhecimentos teve muito trabalho porque os colonos, por estarem longe
de sua terra natal, sem informações e praticamente isolados dos demais
centros urbanos da época, desconheciam totalmente o assunto, o que
tornava muito mais difícil a tarefa. Era preciso, primeiro, reunir os
colonos, conscientizá-los da necessidade de unirem-se para buscarem
juntos as soluções de seu problemas. Na realidade o Padre Theodor
Amstad já vinha trabalhando há algum tempo e a semente do
cooperativismo de crédito já tinha sido lançada na conferência na
fundação da Associação dos Agricultores - "Bauerverein" na
Feliz em fevereiro de 1900.
A
sede da recém-fundada colônia de Nova Petrópolis
(1858), durante a administração do diretor
Bartholomay, ou seja, pouco antes da chegada do
Pastor Hunsche.
Tudo começou
numa das reuniões do Sindicato Agrícola "Bauerverein",
em 19 de outubro de 1902, que fora convocada como
Assembléia Geral da região do então município de São
Sebastião do Caí. Porém devido ao não comparecimento
de sócios de outros distritos, a mesma transformou-se
numa assembléia local, só de Nova Petrópolis, quando
então, depois de discutidos os assuntos de pauta,
o P. Amstad, pedindo a palavra, fez ver as precárias
condições financeiras existentes na colônia e
explanou a sua idéia de fundar uma cooperativa de crédito,
a exemplo das que conhecera na Europa.
A proposição
logo entusiasmou os presentes. Contudo, achou-se que
seria atrevimento a execução de um empreendimento
completamente novo aqui no Brasil, e a reunião teria
fracassado, se não tivesse Amstad renovado os seus
apelos e perguntado quem estaria disposto a se
associar à projetada cooperativa. 15 dos colonos
presentes no plenário se manifestaram a favor e
imediatamente encarregaram o Sr. Antônio Maria Feix,
para em conjunto com o P. Amstad, elaborar os estatutos
e apresentá-los na reunião seguinte, marcada para o
dia 9 de novembro do mesmo ano.